Cesar Millan ou Victoria Stiwell?

13 out

Todo mundo que se interessa por cães já se deparou com dois programas bem conhecidos que passam no Brasil pela Tv a cabo: “O Encantador de Cães”, de Cesar Millan; e “Ou Eu ou o Cachorro” , de Victoria Stiwell.

Ambos tem em comum o amor pelos animais, possuem fundações que auxiliam animais abandonados e defendem que o dono deve ser responsável pelo seu cão. O que os diferencia são os métodos que cada um utiliza: Cesar não se vê como adestrador , e sim como alguém que reabilita cães com problemas de comportamento e treina pessoas para que elas aprendam a se comunicar melhor com seus animais.

Victoria utiliza o reforço positivo , que busca mostrar ao cão que o bom comportamento traz boas conseqüências. Em entrevista à revista Época, ela afirma “Viver no mundo doméstico causa estresse e ansiedade e muitos cães desenvolvem problemas de insegurança e confiança. Se você pune esse tipo de animal, pode fazê-lo se comportar de forma ainda pior e se sentir pior ainda. O reforço positivo mostra ao cão como se comportar e de que forma se comportar bem traz prazer.”

Já César não possui um método, e sim conceitos baseados em suas observações dos cães com os quais conviveu durante toda sua vida. Ele conta que suas correções são baseadas em comportamentos que os cães tem com os outros em matilhas selvagens. Ele utiliza um “toque de correção”, que imita o beliscão que a cadela dá em seu filhote quando discorda de seu comportamento. “Meus métodos não têm a ver com força, têm a ver com autoridade e liderança. Não acredito que eles sejam o único meio de conseguir recuperar ou treinar um cão, mas funcionam para mim, e funcionaram para muitas outras pessoas também. Acredito que a violência nunca é uma ferramenta útil no adestramento. Você nunca deve gritar com o cão ou bater nele. Além de ser cruel, é prejudicial ao processo de treinamento. Nunca ajuda. Recomendo que as pessoas usem qualquer método com o qual se sintam mais confortáveis e com os quais atinjam seus objetivos de maneira humana.”

Questionado a respeito das críticas à sua abordagem, Cesar diz á Época que “Desde que o mundo é mundo as pessoas concordam e discordam. A mãe de uma alcatéia tem que liderar. Isso significa que ela protege, guia e tem a confiança, o respeito e a lealdade do grupo. Essa é a definição de dominação. Não é uma palavra, é um sentimento. “Dominar” não é ser mau, é ter o controle da situação” segundo ele, seus métodos nada tem a ver com força, e sim autoridade e liderança.

E qual o problema da dominância? De acordo com Victoria, “O ponto principal contra a teoria da dominação é que ela pode ser perigosa para as pessoas. Quando as pessoas vêem, na mídia, um cão que é treinado com o uso dessas técnicas rudes, de certa forma estão sendo enganadas. O modo como a TV mostra as coisas pode ser muito sedutor.. Há muito mais poder naquele adestrador que consegue lidar com um cão extremamente agressivo sem apelar para métodos duros.(…)  Para mim, adestrar um cão é fornecer a ele as ferramentas de que ele precisa para se sentir confortável no ambiente doméstico.”

Cesar acredita que “Na essência, qualquer que seja o método – quer você use o método do clicker, da liderança da matilha ou qualquer outro –, é preciso ganhar a confiança, o respeito e a lealdade de seu cão. Nós podemos executar o adestramento de formas diferentes, mas o objetivo é o mesmo independentemente do método.”

13 Respostas to “Cesar Millan ou Victoria Stiwell?”

  1. Tula Verusca 13/10/2010 às 5:09 pm #

    Ai ai …

    Sabe eu gosto da postura do César e só.
    Gosto de assistir aos programas, mas não consigo usar os métodos dele.
    Pra mim só o fato de eu não ser uma cadela já deixa o método um pouco obsoleto.
    Não acho que consigamos ter o mesmo time dos cães.

    • Bianca 13/10/2010 às 5:17 pm #

      Eu tambem gosto muito de assistir aos programas do Cesar, mas realmente, não ajudam muito a trabalhar com os nossos cães…. Já a Victoria é mais ” usável” , tanto que no programa dela não tem aquele aviso ” não tente fazer isso em casa” rs
      Ela é enfática ao afirmar sua contrariedade aos métodos do Cesar, eu não tenho uma opinião formada ainda, mas acho legal reconhecer as diferenças e entender o porque da discussão…

  2. Luana 13/10/2010 às 7:11 pm #

    eu sempre assisto os programas do Cesar, fico impressionada com os resultados dele! mas tbm não consigo colocar em prática! não conhecia a Victoria, vou dar uma pesquisada!
    Bianca, fiquei superrr feliz com o convite para participar da coluna do blog😀 vou com certeza mandar uma foto do meu baby com a historinha dele!

    bjos,
    Luana

    belasperolas.blogspot.com
    @belasperolas

  3. Sara Favinha 13/10/2010 às 8:54 pm #

    Bianca, essa é a primeira vez que vou colocar minha opinião pública sobre os dois. Seu post foi tão legal que merece!

    Muitas pessoas são absolutamente contra o Cesar, e realmente tem coisas que eu não uso nos cães de forma nenhuma. Outras coisas, ele pode nos ensinar, como por exemplo linguagem corporal (muito refinada). Experimente assistir aos programas, vários deles, sem o som, é bem enriquecedor.

    O Cesar atua suprimindo os comportamentos caninos através da pressão corporal, o que funciona muito bem em um programa de televisão, e fica nítida a mudança rápida do comportamento do cão, naquele momento. Para ficar consistente é preciso cortar as recompensas e continuar ao mesmo tempo suprimindo os comportamentos (o mais importante é cortar as recompensas).

    Ele diz claramente que não é um treinador de cães, e é honesto neste sentido. Ele mostra ser um etologista, ou seja, se baseia nos instintos dos cães como motivação primária para os comportamentos, o que suporta a idéia de copiar o comportamento de um lobo (algumas coisas são mitos, como beliscar o pescoço do cachorro – a correção principal é feita no focinho). Neste ponto concordo com a Tula, o timing, consistência e assertividade dos cães é muito superior ao dos seres humanos, independente de quão bem treinado ele seja.

    Eu concordo que esta abordagem pode destruir a auto-confiança de um cão. Uma vez o melhor treinador de animais do mundo (na minha opinião) disse: Um treinador amador jamais deve usar qualquer tipo de punição. Ela só deve ser usada por treinadores muito experientes e em caso de risco de vida, para as pessoas ou para os cães.

    A Victoria já é adepta do clicker training quase que xiita, ou seja, sem qualquer tipo de punição positiva. Usamos boa parte desta metodologia, e concordamos muito com a forma de aplicá-la. Esta é a aplicação basicamente pura do behaviorismo, encarando também os cães como parceiros e colaboradores, e não levam muito em conta a hierarquia natural que existe na relação cão-cão e cão-homem.

    O que, na minha opinião, os dois podem nos ensinar, é que devemos prestar mais atenção naqueles ditados:
    “Nem tanto o céu, nem tanto a terra” e “Nem 8 nem 80”. O que mais enriquece um treinador é estar aberto a aprender o melhor de cada um, e saber descartar aquilo que não lhe serve. Tudo que é demais, ou de menos, não está em equilíbrio.

    Lembrando que os dois são programas de televisão, e o objetivo de qualquer programa deste gênero é ser entretenimento muito mais do que informação ou conscientização.

  4. Camilli Chamone 14/10/2010 às 8:06 am #

    Oi Bibiquerida!

    Sabe, já comentei a este respeito em outro blog, já tenho um post programado falando mais ou menos o que vou falar aqui e o que acho é o seguinte: comportamento, temperamento, educação são assuntos que permitem várias abordagens!

    Esta não é uma particularidade da vida canina. Tenho filhos humanos, o meu mais velho tem 15 anos, e desde que ele nasceu comecei a comprar livros sobre o tema para tentar “errar menos” como mãe. Olha, a minha prateleira tem 54 livros… e os autores não pararam de publicar!

    No caso de cães, como eles sairam do quintal e passaram para dentro de casa há 2 décadas, o boom da importância sobre educação, socialização, comportamento, temperamento, etc, também está acontecendo há pouco tempo. E, como há indivíduos (cães) diferentes, com demandas diferentes, há de se esperar tantos livros, autores e métodos diferentes. Normal!🙂

    Na verdade, desde que não se utilize a “pancadaria”, qualquer método que resulte em um cão equilibrado, sociável e feliz, na minha opinião é válido!
    A escolha do método vai depender da personalidade do cão e, também, na preferência de quem o aplica. Nem todos os métodos funcionam para todos os cães. Assim como nem todas as pessoas se identificam com todos os métodos!

    Beijos!

    [:)]

    • Bianca 14/10/2010 às 8:54 am #

      Meninas, vocês enriquecem tanto este blog que eu fico emocionada ! rsrsrs

      Obrigada por compartilharem seus pontos de vista, é muito enriquecedor. Eu pelo menos, tenho aprendido muito.

      beijos a todas !!

  5. Paula 14/10/2010 às 9:27 am #

    Adorei o artigo, mas preciso expressar minha opinião.
    Odeio a Vitoria. Assisti a um programa dela uma vez onde ela aconselhou sacrificar o cão, era um cocker. E a cachorro foi sacrificado no final do programa. Achei um absurdo, o César jamais prororia

  6. Paula 14/10/2010 às 9:31 am #

    Desculpe, meu comentário anterior foi enviado incompleto.
    Continuando, o César jamais proporia sacrificar um cão.
    Só por causa disso, já gosto mais do César. Sem contar q como ele diz, o problema sempre sao os donos, sou fã dele.
    Parabéns pelo artigo.

    • Bianca 14/10/2010 às 10:48 am #

      Oi Paula !
      Nossa, eu não vi este programa que sacrificaram o cocker !:/
      Ah, tentei acessar seu site mas não consegui , quero conhecer ! beijos

    • Tula Verusca 14/10/2010 às 11:05 am #

      Paula,
      existem casos em que só o sacrifício é necessário por que o cão trás perigo para as pessoas que vivem com ele.
      Existe uma sindrome em Cocker Spaniel chamado Síndrome da Fúria.

      Não vi o programa, mas pode ter sido um caso desse!!!

  7. Tula Verusca 14/10/2010 às 9:54 am #

    Sarinha,
    Verdade…. fico observando aqui em casa, na rua… quando os cães estão corrigindo outro cão ele dão mordiscadas rápidas no focinho… sem grandes alardes!!!!!

    Aliás a matilha aqui manda um BEIJAO pra vc!!

  8. Ana Corina 14/10/2010 às 11:00 am #

    Oie,

    Essa polêmica nunca terá fim para quem gosta das coisas no ‘preto e branco’. Como já foi muito bem dito acima pela Sara, nem tanto ao céu, nem tanto à terra. ;o]

    Dia desses assisti a um episódio da Victoria em que um yorkshire de menos de um ano (9 meses, se não estou enganada) mandava e desmandava na casa, comia em cima da mesa, recebendo a comida no garfo e às vezes PRÉ-MASTIGADA, e não deixava uma segunda pessoa sentar no sofá e nem permitia que o marido deitasse na cama com a esposa. PELAMORDOSMEUSNEURÔNIOS, cadê a inteligência desse povo? Lógico que a Victoria “deu jeito”, mas apesar de concordar com o contexto geral, achei algumas das saídas dela um tanto… Bem… Um tanto teatrais, como a segunda pessoa ficar de costas para o sofá e só então sentar enquanto o cão pulava de um lado pro outro. QUEM vai lembrar de sentar assim o tempo inteiro? Se a dominância do pequeno não for trabalhada, ele pode acostumar a deixar que sentem no sofá, mas vai exercê-la de outra maneira em outras situações.

    Fora que fiquei pensando que qualquer hora sentariam em cima do ratinho, ops! quer dizer, do yorkie. Nessas horas, custava o cidadão já sentado simplesmente botar o cão no chão e não deixar que ele dominasse a situação? Não é preciso bater, berrar, nada, é só ter o mínimo de domínio da situação. Gente, o cachorro era um filhote peso pena. E se fosse um cão de porte grande que já praticamente nasce grande, que passa por toda a fase NATURAL de morder mãos e meter a boca no mundo? Sem alguém com inteligência para substituir a mão por um brinquedo, para fazer um “ai ai”, retirar a mão e parar de brincar, logo vocês imaginam quem estará preso o dia inteiro, não?

    Costumo dizer que excesso de amor também mata e quando alguém vem me contar que o cão da raça X “que dormia na cama” atacou a criança da família e que portanto a raça X é REALMENTE um perigo para a sociedade, preciso contar até 300 antes de explicar que é JUSTAMENTE porque o cão dormia na cama, e que provavelmente não tinha nenhum tipo de limite e nem foi educado, que fez o que fez.

    As pessoas não impõe limites e depois apenas colhem os frutos. Mas como sempre, quem se ferra são os animais, que são doados/mortos/espancados/abandonados apenas por responder de acordo à maneira como foram criados/tratados.

    Como mãe de cachorro gigante e de cachorro minúsculo e como leitora e espectadora tanto do Cesar quanto da Victoria, assino embaixo das palavras da Camilli
    “Na verdade, desde que não se utilize a ‘pancadaria’, qualquer método que resulte em um cão equilibrado, sociável e feliz, na minha opinião é válido!
    A escolha do método vai depender da personalidade do cão e, também, na preferência de quem o aplica. Nem todos os métodos funcionam para todos os cães. Assim como nem todas as pessoas se identificam com todos os métodos!”😉

    Beijo

  9. Cassia 19/10/2010 às 1:32 am #

    Olá, Bianca! Visitei seu blog hoje, pela primeira vez, e gostei muito! Parabéns pela qualidade dos textos! Há algum tempo venho acompanhando as discussões acerca dos métodos do Cesar Millan x aqueles que utilizam reforço positivo. Sim, basicamente a discussão é esta. Como muito bem colocado por você, Cesar não é adestrador: ele mesmo afirma não sê-lo. Age empiricamente, pois tem uma sensibilidade ímpar em relação a lidar com cães. Por outro lado, o adestramento baseado no reforço positivo (como utilizado pela Victoria), baseia-se em técnica há muito estudada e desenvolvida através do conceito de condicionamento clássico. De qualquer forma, já por esta distinção, pode-se notar uma abordagem diferente de cada um destes “astros” para lidar com problemas comportamentais dos cães. E como já bem destacado nos comentários acima, o que mais vale é o bom senso. Evidentemente que criar uma relação de cooperação e respeito entre cães e homens, sem abusos, é a melhor forma desta convivência ser sempre feliz. Mas há um detalhe que sempre me chama atenção nos programas do Cesar, especialmente aqueles envolvendo agressividade: a “técnica” dele para este tipo de comportamento é PERIGOSA. Perigosa para os humanos, que podem se machucar seriamente, com mordidas violentas (o próprio Cesar já se machucou em vários programas). E perigosa também para os cães: é sabido que, em muitos casos de agressividade, o confronto físico, o enfrentamento direto, só agrava o problema, podendo gerar reações agressivas ainda mais severas em outras oportunidades. E isto, certamente, será prejudicial ao cão, que acabará privado do convívio saudável com as pessoas e com outros animais. Tenho percebido que a maneira mais eficaz de se conviver com um cão é estabelecer um canal de comunicação eficaz entre as duas espécies, baseado na confiança, carinho e respeito. Assim, muitos e muitos problemas poderiam ser evitados. Um abraço, Cassia

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